O mercado de crédito digital brasileiro continua crescendo, mas a forma de financiar essa expansão também está mudando.
Segundo a Pesquisa Fintechs de Crédito Digital 2026, realizada pela PwC Brasil e pela Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), as fintechs participantes concederam R$ 53,8 bilhões em crédito em 2025, alta de 51% em relação ao ano anterior.
Em um cenário marcado por juros elevados e maior custo de captação, uma
questão ganha ainda mais relevância: de onde vêm os recursos para sustentar esse crescimento?
Entre as respostas, um instrumento se destacou em 2025: os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs).
FIDCs avançam entre as fontes de captação
De acordo com a pesquisa, o uso de FIDCs entre as fintechs participantes passou de 15% para 25% em 2025, um crescimento relativo de aproximadamente 67%.
Foi a maior alta entre as fontes de captação analisadas.
O movimento chama ainda mais atenção quando comparado a outros instrumentos. O uso de debêntures recuou de 19% para 17%, enquanto o capital próprio passou de 46% para 51%, alcançando o maior percentual da série histórica.
E a tendência apontada pelas empresas é de continuidade: 65% das fintechs pesquisadas consideram o FIDC uma fonte prioritária de captação para 2026.
Por que os FIDCs ganham relevância?
Uma das características dos FIDCs é a possibilidade de estruturar diferentes camadas de risco e retorno.
Por meio de cotas seniores, mezanino e subordinadas, além de mecanismos como critérios de elegibilidade, limites de concentração e gatilhos de performance, é possível construir estruturas adequadas a diferentes estratégias.
Isso torna o instrumento uma alternativa relevante de funding para empresas e, ao mesmo tempo, uma possibilidade de diversificação para investidores.
Nesse cenário de expansão, outra transformação do mercado de crédito passa a ter relação direta com a discussão: a Duplicata Escritural.
O que a Duplicata Escritural muda nessa dinâmica?
A Duplicata Escritural está entre os temas apontados pela ABCD como relevantes para o crédito digital em 2026.
Sua adoção cria uma infraestrutura mais formal e eletrônica para esses ativos, ampliando a disponibilidade e a organização das informações relacionadas aos recebíveis.
Para os FIDCs, isso pode significar trabalhar com ativos mais rastreáveis, padronizados e verificáveis.
Informações sobre a origem do crédito, o cedente, o sacado, a operação comercial que deu origem ao recebível e eventuais registros, ônus ou restrições passam a fazer parte de uma infraestrutura mais estruturada.
Na prática, essa mudança pode apoiar etapas importantes da gestão, como originação, validação do lastro, monitoramento das carteiras e prestação de contas aos investidores.
Mais rastreabilidade não significa ausência de risco
Esse avanço, porém, não elimina a necessidade de uma gestão criteriosa.
Uma duplicata pode estar corretamente escriturada e ainda assim não ser paga. Inadimplência, disputas comerciais, concentração de carteira, deterioração financeira de cedentes e sacados e outros riscos continuam fazendo parte da operação.
A transformação está principalmente na qualidade e na organização das informações disponíveis.
E é justamente aí que a tecnologia passa a ocupar um papel ainda mais relevante.
Quanto mais estruturada se torna a infraestrutura do mercado, maior é a necessidade de sistemas capazes de integrar informações, acompanhar carteiras e apoiar os controles necessários para uma operação eficiente.
O desafio passa da informação para a gestão
A implementação da Duplicata Escritural também envolve uma cadeia ampla de participantes: empresas, instituições financeiras, escrituradoras, registradoras, gestores, administradores, custodiantes e plataformas.
Por isso, integração de sistemas, conciliação de dados e adaptação operacional estão entre os pontos que merecem atenção durante essa transformação.
Para os gestores de FIDCs, portanto, não basta ter mais informações disponíveis sobre os ativos.
É preciso conseguir transformar informação em rastreabilidade, controle e governança da carteira.
Em um mercado no qual os FIDCs ganham espaço como alternativa de funding e os recebíveis passam por uma transformação estrutural, a infraestrutura tecnológica que sustenta a gestão também precisa acompanhar essa evolução.
Como a Função pode apoiar essa transformação?
A Função apoia a gestão de carteiras de FIDCs com integração às registradoras de duplicatas escriturais, conectando a operação à nova infraestrutura do mercado.
Essa integração contribui para uma gestão mais estruturada das informações e para a rastreabilidade necessária ao acompanhamento das carteiras.
O avanço dos FIDCs mostra que novas alternativas de captação estão ganhando relevância. A Duplicata Escritural, por sua vez, amplia as possibilidades de organização e verificação das informações relacionadas ao lastro.
Quando esses dois movimentos se encontram, tecnologia, integração e governança tornam-se partes cada vez mais importantes da gestão.
Quer entender como preparar sua operação para esse cenário? Fale com o time da Função.
Fonte:
https://finsidersbrasil.com.br/credito-digital/temas-que-podem-impactar-o-credito-digital-em-2026
www.televendasecobranca.com.br/credito/duplicata-escritural-pode-impulsionar-crescimento-dos-fidcs-181826